INTOCÁVEL
Acaricio
levemente meus lábios macios.
A
pele de minha face...
Fecho
os olhos.
Acaricio
meu nariz, as sobrancelhas. Os cílios.
Deslizo
os dedos por entre os meus cabelos, afago minha testa...
Me
pergunto:
O
que me resta?
Continuo
acariciando meu rosto.
Se
bem que tem hora que isto me traz um desgosto.
Me
traz lembranças.
Tantas
mentiras.
Ou
não foram?
Quem
é que sabe a verdade inteira.
Choro
por besteira.
Desço
os dedos pelo pescoço. Busco meu colo macio.
Os
ombros ossudos.
Noto
que estou mais magra.
Desço
pros seios.
Ainda
belos.
Ainda.
Desço
mais.
Paro
a mão no umbigo.
Penso
na minha mãe.
Num
dia tão longínquo.
O
dia que cheguei aqui.
Ela
diz que eu sou uma sobrevivente.
Que
nasci de forma diferente.
Mas
que dia aquele!
Chegava
uma poetiza no mundo.
Já
nascia fazendo poesia.
Trazia
alegria.
E
também dor.
Continuo
a deslizar a mão pelo meu corpo.
Membros,
curvas...
Converso
a beleza.
Agora
eu quero falar de uma beleza intocável.
Aquela
que não se alcança com dedos.
Mas
com o coração.
Houve
um homem que me acariciou assim um dia.
E
pra ter de novo este homem o que eu não daria.
sonia delsin

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