DESNUDANDO
Diante do espelho eu fiquei parada.
Lá dentro eu vi um casal.
Não vi meu rosto com a expressão de agora,
mas a que tinha outrora.
Uma mulher sorrindo...
Um homem a abaixar a alça de seu vestido.
Uma boca a roçar a pele de seda...
As mãos que a desnudavam eram medianas.
Os dedos finos buscavam acendê-la no
toque.
A roupa descia e a mulher sorria.
O amor acontecia.
Fechei por um instante os olhos e quando
olhei...
o casal já tinha partido.
Eles tinham ido.
E só ficara o vazio.
Senti a alma oca e não quis mais olhar.
Só que este meu ser insiste em ver.
Insiste em recordar o escorregar das
roupas, as mãos, a boca...
A imagem refletida tem a alma dolorida,
tem os olhos cheios d’água.
Mas lá dentro, lá no fundo o casal insiste
e existe.
sonia delsin
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